A Árvore da Criação é considerada a primeira forma de vida vegetal surgida em cada mundo. Assim como Ícarus, ela não faz parte do ciclo natural comum das plantas, sendo uma manifestação direta do ato criador que deu origem ao mundo.
Fisicamente, a Árvore da Criação se assemelha a uma árvore comum de sua espécie local, porém apresenta características que a distinguem de todas as outras:
seu tronco possui uma coloração avermelhada profunda e suas folhas exibem tons azulados incomuns. Essas diferenças, embora visíveis, raramente despertam suspeita, sendo frequentemente atribuídas a variações naturais, mutações ou lendas regionais.
A Árvore da Criação é única em cada mundo. Não existem brotos, sementes ou descendentes diretos dela. Todas as outras árvores da mesma espécie são biologicamente distintas, mesmo que visualmente semelhantes.
Quando ferida, a Árvore da Criação não exsuda seiva, mas sim um fluido semelhante a sangue. Esse sangue vegetal carrega propriedades únicas, sendo considerado um resíduo vivo da criação do mundo. Por esse motivo, qualquer dano à árvore é tratado, em culturas antigas e tradições esquecidas, como um sacrilégio.
Assim como Ícarus, a Árvore da Criação possui uma longevidade que ultrapassa milhares de anos. Ela não cresce nem se deteriora de maneira perceptível, permanecendo estável ao longo das eras, mesmo diante de mudanças climáticas, catástrofes naturais ou intervenções humanas.
A destruição completa da Árvore da Criação em um mundo gera uma consequência irreversível:
aquele mundo perde permanentemente a capacidade de originar um Cristal de Vidro. Sem a árvore, a conexão material entre mundos torna-se impossível para seres vivos, selando aquele plano de existência.
O sangue da Árvore da Criação, quando combinado ao sangue de Ícarus, constitui os componentes fundamentais necessários para a criação de um Cristal de Vidro. Nenhum dos dois elementos é suficiente isoladamente. Ambos representam polos complementares da criação:
Ícarus, a primeira criatura viva;
a Árvore, a primeira raiz do mundo.
Apesar de sua importância cósmica, a Árvore da Criação não emana poder visível, não protege a si mesma e não reage conscientemente a ameaças. Sua existência depende inteiramente do desconhecimento — ela sobrevive porque é ignorada.
Ao longo da história, muitas Árvores da Criação foram confundidas com marcos naturais, locais sagrados abandonados ou simples curiosidades botânicas. Em raríssimos casos, símbolos, rituais ou construções foram erguidos próximos a ela por culturas antigas que intuíram, mas jamais compreenderam plenamente, sua real natureza.
