Ícarus é considerado a primeira criatura criada em cada mundo, uma entidade viva que precede todas as demais formas de vida animal existentes naquele plano. Diferente das outras criaturas, Ícarus não foi criado como parte do ciclo natural de nascimento, reprodução e morte, mas como um marco da criação, um elo entre o mundo material e o ato divino que o originou.
Embora receba o mesmo nome em diferentes mundos, Ícarus não possui uma forma universal. Em cada mundo, ele assume a aparência de um animal comum daquele ambiente — um pássaro, um mamífero terrestre, um réptil ou qualquer outra criatura típica daquele ecossistema. Sua única distinção visível é uma pigmentação levemente diferente, muitas vezes sutil demais para ser percebida sem observação cuidadosa.
Ícarus é uma criatura passiva por natureza. Não ataca, não caça e não demonstra comportamento territorial. Seu instinto primordial é a evasão. Quando ameaçado, foge, deslocando-se com extrema eficiência pelo ambiente ao qual pertence. Essa característica, aliada à sua longevidade, contribui para que permaneça despercebido por séculos ou milênios.
Diferente das demais criaturas de sua espécie, Ícarus não envelhece de maneira convencional. Seu corpo se mantém funcional ao longo de milhares de anos, resistindo a doenças, desgaste natural e às limitações biológicas comuns. Ainda assim, Ícarus não é imortal. Ele pode ser ferido e, em circunstâncias extremas, morto — evento considerado catastrófico para o mundo ao qual pertence.
O sangue de Ícarus possui propriedades únicas. Não se trata apenas de um fluido vital, mas de um resíduo direto do ato da criação, carregando em si fragmentos do vínculo entre o mundo e sua origem divina. Por esse motivo, o sangue de Ícarus é um dos elementos essenciais para a criação de um Cristal de Vidro.
A morte definitiva de Ícarus em um mundo resulta em uma consequência irreversível:
aquele mundo perde para sempre a capacidade de gerar um Cristal de Vidro, tornando-se fechado à travessia de seres vivos vindos de outros mundos. Esse isolamento não afeta o trânsito de almas, que permanece livre, mas rompe qualquer possibilidade de conexão material interdimensional.
Ao longo da história, Ícarus foi interpretado de diferentes formas:
para alguns, um simples mito; para outros, um guardião silencioso; e para poucos, uma chave viva, cuja existência sustenta o equilíbrio — ou o colapso — entre mundos.
