Livro em si
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No aniversário de 13 anos de Senji, seus pais estavam a caminho da capital para vender a safra mensal, e sempre neste dia, ele dizia aos pais:
—Pai! Quando for à capital, não esquece eim! Livro novo! E mãe, já sabe...—
Encarando-a com os olhos apertados.
Sua mãe apenas sorria, já Harry, olhava para ele com sua cara de sério, e murmurava um "Hum..." seco, Senji então ria, achando engraçado a situação.
Eles então prepararam os animais com a safra mensal e partiram rumo à capital.
Chegando lá, caminharam até à praça central da cidade, e neste dia, encontraram um homem sentado em um dos bancos velhos da praça, homem este de feição triste, solitária, tinha longos cabelos negros que alcançava até seus joelhos, barba volumosa, aparentemente de estatura baixa, vestia longas vestes bem surradas.
Do seu lado havia um livro velho de capa vermelha, Harry quando avistou o livro pediu a Ana para aguardar e se aproximou, chegando perto pode ler a capa com uma certa dificuldade, pois estava bem gasto, e na surrada capa do livro dizia, "Segredos de um Cristal de Vidro".
Nisto, o homem percebeu a aproximação de Harry e abraçou o livro como se fosse um tesouro, Harry ficou surpreso com o comportamento do homem, mas o olhou bem, e disse:
—Está devendo algo? Acontece que, não pude deixar de reparar neste livro que está abraçando, que cristal de vidro é esse que diz na capa?
O homem com um olhar desconfiado, ficou calado, e Harry insistiu:
—Não está me ouvindo? Escute, acontece que… Hoje é aniversário do meu filho, e estou atrás de um livro para o presentear, venho de Gesyl e não tenho muitas moedas para comprar um novo.
O homem então levantou a cabeça e observou Harry por completo, colocou o livro em seu colo, e logo após pediu a Harry para que se sentasse com ele, Harry então se sentou, e o homem que aparentava assustado começou a dizer,
—É... de...desculpe por isso, não sabe quanta angustia me trouxe este livro! Este livro pertencia a minha mãe, Oh! Minha agora louca mãe! ela estava obcecada por este livro, você não acreditará nas coisas que el.. eu vou lhe contar! Mas, NÃO ACREDITARÁ!! Ela conversava sozinha, durante as noites ficava perambulando pela casa, parecendo conversar... adivinha? Siiim, COM ALGUÉM!!, mas eu espiava e não via ninguém!! Apenas ela olhando para o te...teto! e falando sozinha, era assustador! Parecia... ESTAR POSSUÍDA!
Harry com uma cara de "super empolgado" só que não, continuou prestando atenção na história.
—Então, em um momento oportuno eu peguei o livro, su...subi no meu cavalo e sai disparado para a capital, fiz mesmo... Aqui procurei por alguém que pudesse me ajudar, mas estou a uns 15 dias e ninguém, absolutamente ninguém deu ouvidos a minha história, acham que sou pro...problemático, louco!
Harry fez uma cara sarcástica que aparentava confirmar.
Enquanto o homem contava a história para Harry, Ana um pouco distante deles observava o movimento da praça, observava o grandioso castelo do rei, com 5 torres à sua volta, protegido por diversos muros altos e alguns homens que seguravam longos arcos no topo, ela não deixou de observar também que um deles urinava lá de cima da torre tentando acertar seus colegas. Ana possuía um vicio, compulsão talvez, que era comer, não podia ver uma taberna ou comerciante local produzindo qualquer tipo de refeição que já queria entrar e experimentar tudo que era possível, seu olhar logo começou a mirar em todas as tabernas e tendas de ambulantes que produziam comida em volta da praça, ela levantava o nariz e inspirava profundamente, curtindo os mais variados cheiros das especiarias da capital, e toda hora olhava pra Harry dando alguns "pulinhos" no ar, demonstrando uma certa impaciência.
Harry então, sério como sempre e sem esboçar nenhum interesse pela história do homem, disse:
—Impressionante... Pelo visto existe algum mistério em torno deste livro, não é mesmo? Mas se quiser se livrar dele, eu compro de você
O homem por sua vez recusou, dizendo:
—Nãã...NÃO!! Você não prestou atenção em uma palavra que eu disse, né!? Preciso é descobrir porque ela estava tão obcecada por esse livro, folheei quase todas as páginas... mas não consegui entender é nada, pouquíssimas palavras aqui! Apenas desenhos esquisitos que não faço a mínima ideia do que é.
Harry então se cansou de ouvir o que julgava bobagens e decidiu terminar a conversa por ali, deu um curto e breve agradecimento ao homem, se levantou, e caminhou até Ana, quando estavam prestes a partir para o ponto comercial da capital, o homem gritou:
—EI, VOCÊ!! Vó...volte aqui!
Nisto, eles olharam para trás e viram o homem ainda sentado, com o livro em sua mão direita levantada, o abanando no ar, Harry estava aborrecido mas decidiu voltar, quando chegou próximo, o estranho o disse:
—Pe...pensando bem, acabei vindo até aqui para nada, estou sem entender esta porcaria de livro e agora sem nenhuma moeda no bolso! Vim com apenas algumas moedas, tive que vender meu cavalo alguns dias atrás, e agora vivo de alguns pequenos trabalhos que faço para os moradores, cuido de alguns animais, lavo louças, conforme a oportunidade surge, E DIGO A VOCÊ... esse pessoal da capital... são pessoas estranhas! vivem sempre com armaduras pesadas, falam alto nas tabernas, percebo que me olham as vezes como se eu fosse um... bicho!! E esse cheiro de esgoto!? Minha cidade exalava o cheiro de pergaminhos velhos! Sinto falta da minha cidade, da minha casa! minha casinha... Apesar que... tenho medo de voltar e encontrar com minha mãe.
E então concluiu:
—Pois bem, digo agora a você, sinto fome, muita fome! Nunca tive que passar por esse vexame antes... do que adianta estar com este livro, se não tenho oque comer? oras, me diz aí então, aquela proposta que me fez antes, quanto me dá pelo livro?—
Harry ainda sério, sem esboçar nenhuma feição diferente apenas pensou, deu dois exatos passos para trás e então puxou do seu bolso um saco com algumas moedas de ouro, nisto o homem olhou curioso para a bolsa de moedas, Harry desviou o olhar do saco e olhou para o homem que disfarçou, ele então contou as moedas dentro do saco e respondeu:
—10 moedas e alguns legumes, com as moedas você conseguirá algum transporte.
Nisto, o homem olhou para ele com um olhar que parecia dizer "seu miserável.", ergueu o livro e então disse:
—Pegue! é seu!, mas ouça com atenção, CUIDADO!, minha mãe não era assim antes de tomar posse do livro! E como já te falei antes, não consegui compreender nada!! Que os Deuses te protejam!! Meu amigo.
Harry por sua vez, pensou consigo em quanta bobagem ouvira, e quase cortando o homem agradeceu, entregou as moedas, algumas frutas e hortaliças, recolheu o livro para si, e guardou dentro de uma bolsa de couro.
Harry e Ana então caminharam até a zona comercial da cidade, e lá, venderam todos os legumes, frutas e hortaliças que produziram no campo.
Logo após, Ana convidou Harry para ir à uma taberna próxima comer algumas especiarias da capital, depois convidou para ir a outra, e outra em seguida, Harry já não aguentava mais comer, logo, a tarde chegou, e satisfeitos voltaram para casa.